Arranca as raízes dessa paixão que por 6 horas de êxtase pede em troca mais de semana de condolência. Enxergue com clareza: sua certeza é na verdade uma vã esperança, pois que se fosse uma certeza ela já estaria confirmada e o que se passa é bem o oposto! Desista!
domingo, 21 de dezembro de 2008
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Calafrio do Dia
Se isso não foi um dos melhores incentivos a ler o próximo capítulo que eu já vi....
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Quando sua fortaleza é a fraqueza do outro (ou Apologia)
Não se quer iniciar pela fraqueza. A ligação recebida por fraqueza é descrédito para quem liga, e aquilo que se constrói a partir disso não é simétrico, aquele que recebeu a ligação se achará mais forte apesar de não o ser de todo. Para que isso não aconteça é preciso que ele perceba a relatividade da força que naquele momento ele sente, que naquele momento ele crê ser. Ele precisa entender que aquilo é transitório, que o poder que lhe faz super-homem ali não é sua posse e, sim, gerado pela circunstância, que é ocasional. É um bom começo para não se ser levado por falsas ilusões.
Porém se esperto for e assim perceber, será capaz o suficiente para manipular o conhecimento? E será que conseguindo poderá se dizer que ele não ama? Acho que não.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Durkheim Teve de Dizer "Não"
O argumento a favor do aborto contraria nossa consciência coletiva que diz: Não matar um ser humano embrionário que não tem condições de defesa. (O que é uma condição para a preservação da sociedade, na medida em que protege sua gênese.)
Segundo Durkheim, essa consciência é um fator de coesão da sociedade sem a qual a sociedade se desagregaria, “ela não pode desaparecer sem que o laço social se afrouxe e que as consciências sadias sejam obscurecidas.”
O que ocorre é o aumento demasiado de consciências individuais (que querem o aborto) que “crescem em razão inversa” à consciência coletiva e se chocam com ela à medida que o fazem. No entanto, é possível mesmo que essas individualidades tenham sua razão, sua validade (apesar de ir contra o instinto de preservação da sociedade). Para tanto Durkheim antecipa:
“Todos os atos que atingem as paixões coletivas não são perigosos em si mesmos (...). Entretanto a reprovação de que são objeto não deixa de ter sua razão de ser, pois qualquer que seja a origem desses sentimentos, uma vez que façam parte do tipo coletivo, e, sobretudo se constituem seus elementos essenciais,”-como o direito a vida não poderia deixar de ser- “tudo que contribua para abalá-los afeta igualmente a coesão social e compromete a sociedade. Não há qualquer utilidade no seu desaparecimento, mas desde que tenham durabilidade é necessário que persistam apesar de sua irracionalidade.”
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Replica
domingo, 30 de novembro de 2008
Ma Chérie (Quand Même)
Nossa foto ainda está sobre a mesa. Jogada a um canto, como para ser desprezada, coberta de pó e fumaça, mas presente e forte em sua discrição. Meu olhar mudou, todavia: fiquei lúcido. Não se surpreenda com a afirmação, pois que se naquela época me pressionavas a ter escrúpulos quanto ao que eu colocava em minha veia, vejo hoje que era você mesma que corria por elas. E tinhas tal poder de entorpecimento! Ao paraíso me levou durante estações seguidas, até que um dia eu me acostumei .
Quem tinha o paraíso como normal só conseguia enxergar o inferno, que para mim ali estava, prestes a me engolir quando o chão que tu me davas parecia começar a ceder e esfacelar sob meus pés. Comecei a agir por medo, a sem querer implorar indiretamente, depois diretamente e, então, precipitaram-se as crises de abstinência.
A foto fala muito comigo. Minha expressão extasiada em conforto e inocência, possuído e dominado por carícias: parece bom, mas não foi. Foi, sim, um soldado que se ajoelhou e achando que idolatrava um Deus, na verdade, pedia misericórdia ao cano frio que lhe encrespava a nuca. Os olhos dela são os de quem rende.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Na mesa de bar
Pra se notar que é possível contrariar a razão conscientemente. Pra se ver que a vontade prevalece sobre ela– os nominalistas estavam certos.
Eu ignoro a razão que me diz “vá pra casa que a verdade não está em seus vícios”, que não é por aí o caminho para a paz (encontrar o que falta seja lá o que for).
X
Incômodo de ser que implica no querer perder a consciência.
Na segunda hipótese, fui fraco hoje. Mas o hoje, apesar dessa fraqueza, que eu admito, foi mais que isso. Não era só a vontade de me sedar. Era uma aflição por aventura, uma obsessão antinatural* por novas experiências.
- Não, eu não poderia ir para a casa. Não porque fosse errado, era o certo, na verdade/ Mas eu não queria! Deveria? Será que o que eu faço é realmente errado? É, de fato, eu sei, é! Porque antes de meus pais falarem (e eu sempre desconfio quando eles falam, que aqui isso), já me sinto mal.
Mas como diferir entre o certo e o errado absoluto e o certo e o errado que me é ditado pela subjetividade deles?
Acho que de modo algum quero me tornar o que eles querem que eu seja sem que antes prove a mim mesmo, com motivos que me convençam, que eu deva ser aquilo.
(Existe algo que se deva ser?)
Porque, sim, implicitamente eu acredito que para mim exista um destino, algo possivelmente já estabelecido e que mesmo que não seja o incorporar perfeito (o que me seria revelado pela sensação de realização, de descoberta, de satisfação, uma sensação que supera o certo e o errado banal, que é o meu certo, que seja tão certo que supere a diferenciação entre certo e errado! Por ser tanto o meu caminho que eu nem sequer me lembre de questionar sobre essa decisão – de uma clareza tal que eu não me pergunte sobre a lucidez.
*Concebo sem perceber que a obsessão é antinatural e, talvez, por isso mesmo não a veja como certo...Por ser em excesso: obsessão.
Conclusão: Mesmo tendo aversão ao moderado, vejo nele o caminho, que é o certo e que, no entanto, não consigo seguir. Por isso mesmo tento refutá-lo, para ser coerente comigo mesmo. Ou seja, por preguiça, falta de vontade, ou alguma explicação que está em meu subconsciente, não consigo me ausentar disso que resulta em minha auto-destruição.
--------------------------------------
Como se perceber que maluco está?
Maluquice, pra mim, agora seria entregar esse caderno nas mãos das pessoas ao meu lado. Mas o ato não é propriamente maluco, apenas convencionalmente maluco.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Divago
Resmungo
domingo, 9 de novembro de 2008
Sobre um relacionamento
E ela merecia. Havia a custo conseguido romper as amarras invisíveis de uma relação que havia sido a muito consumida pelo vagar do tempo. Queria sentir na cabeça palpitante, no corpo frenético, no badalar da madrugada, no zunzunzun de vozes incessantes, instigadoras, novas, como que um descarregar daquelas mágoas acumuladas até então, no sufoco de um casamento, na ansiedade de uma separação.
Ambos queriam um ao outro, de maneiras diferentes. Não sabiam como se conciliar.
Ele a entendia, assim sabia, já havia sentido. Não conseguia era reproduzir, para condizer e conviver. Ele suspeitava de truques para desfazer a situação, se fazer ausente, se fazer indiferente, ela correria por ele? Aquela velha competição com o orgulho próprio, aquela velha aposta de quem vai perder um pouco da auto-estima ao recorrer primeiro ao telefone... Costumava ser sempre ele a perder...e ainda que desse certo, que ele ganhasse, que ela ligasse dando um grito por sua companhia, pra ele seriam apenas os espólios de um golpe executado friamente. Depois de ter criado um hábito, uma presença na vida de alguém e sumido, o mais a se esperar era ser procurado.
