segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Resmungo
Fui armado para combate, queria vê-la, não sabia mais nada. Havia arrumado um pretexto descente e agora era só me fazer de convidado dos outros. Mas como agir? Falar-lhe? Conversar como gente? Não consegui, emburrei no meu canto, na minha rede. Não tinha coragem de olhar-lhe nos olhos, não queria conversar, e somos nós duas pessoas de olhares expressivos. Fiquei a ouvir sua voz... Cantava, era só a ver.. Ela fala de um modo alegre, com um tom que não deixa entrever anuviamentos, pra quem olha parece até que não se preocupa, mas isso pra quem não pergunta também.... eu soube perguntar. Enfim, tentava conquistar essa alegria com minhas tristezas, com minhas cenas dramáticas e uma coleção de “adeuses” teatrais, do lado dela emburrei muitas vezes, como uma criança estúpida que necessita de atenção, sem ter a malícia, a frieza, a tenacidade para ganha-la através de meu próprio esforço. Antes disso caia como já aniquilado em seu colo, a fazer com que ela entendesse que eu finjia não sofrer (mas que sofria, sofria, sim!), que era grande demais pra mim. "Sou fraco", dizia, "perdi pra você. Tens-me em chave de pescoço. Tens-me apaixonado, menina!". E já que não aconteceu.. estou ainda cá embaixo nesse buraco do qual só se sai remando terra. Tentando achar uma filosofia que suplante essa dor, um entezinho que sussurre coisas revitalizantes ao ouvido, coisas que me façam ver a beleza da fortaleza, a dignidade da solidão, que me faça ver as coisas ordenadas e bonitas tendo um objetivo em mão.
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