Não adianta, tudo se esvái pelo ar. O incenso,a fumaça, tal qual minhas células ou suas células, e também as doenças, se espalham como o sal jogado no mar.
E o retrato de minha falecida avó agora me acena com a morte. Uma pena não poder eu, no momento, transplantar esse espanto e sentir, ausente das paredes que me cercam, seus momentos de vida. Vida esplêndida, quão notãvel não era minha avó; dela minha mãe ganhou o carinho benigno de saber amar e respeitar,- e não se recordem, apesar de eu mesmo o ter feito, do matrimônio pois que não é a intenção da expressão (se não mudo é por pirraça) – literalmente.
Em minha infância parece que meu pai se ausentou na Bahia por algum tempo, trabalhando, e durante este tempo e em muitas outras circunstÂncias, permanecia em casa de meus avós, aliás, todo o circuito que percorria dia após dia se limitava a alguns quarteirões ao redor dali.
Ia com meu avô para à escola e corria na sua frente desafiando o velho, possuía vários machucados nos joelhos em função disso, como qualquer outro garoto os possuía em função de outras coisas. De vez em qunado haveria um caminhão vendendo peixes no caminho, do lado de onde minha avó estudara. Eu ia de galochas e me marcavam aqueles momentos em que a rua se enchia do aroma fétido e aglutinava possas no asfalto irregular. Não me incomodava de todo.
Houve uma ocasião em que fui deixado na escola após o horário da saída por um mal-entendido entre a empregada da casa e minha avó. Uma achava que a outra fosse me buscar à tarde. Era um colégio de freiras que não possuía as cinco últimas séries para se completar o ensino médio, éramos todos crianças. E nessa tarde estava ali sozinho, todos meus colegas já haviam partido, levados por quem fosse.
Não sei se era a primeira vez que ficava sozinho mas certamente me foi espantoso, as lágrimas começavam a me umedecer os olhos e logo fui recolhido por um uma freira – única cenoura que restava na terra. Vi rapidamente ela pedir à outra que tentasse telefonar para meus responsáveis, mas logo fui conduzido novamente pela mão, passamos por um elevador e entramos em meio segundo em um apartamente escuro. A freira ligou sua novela diária das oito enqaunto buscava encher uma mesa com o que dispunha para o lanche da tarde: biscoitos variados, pão, manteiga, geléia, presunto, suco, água. Eu me fatava de comodiade ainda que ninguém houvesse dado sinal de que voltaria para casa cedo. E acaba assim, toda a imagem se dissipa como um flash.
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