Reconstei-me sobre as almofadas e permiti a meus olhos mirarem o branco teto-parede-armário de meu cômodo. Pensava outra vez no vazio, como de tempos em tempos sentia a imensidão do vácuo que havia reservado para o ócio – não propriamente para ele, mas ao menos para seu emprego. No entanto, nessas horas perdia toda a ânsia por um objetivo, em uma faixa graduada eu era um ponto baixo na falta de interesse. A faixa é branca também, de tal modo suas marcações e eu. Formávamos um todo ininteligível no vazio do branco psiquiátrico.
O telefone tocou. Era meu aniversário, as pessoas continuavam a ligar pondo em prática o ritual anual da redundância. “Muitas felicidades, anos felizes, parabens, etc, etc...”. Ambos, eu e meu interlocutor, usualmente quando este me era próximo parecíamos no sdar conta dos pensamentos, às vezes de sua qualidade, mas de costume sobre sua simples existência, que fluíam pararelas, indiferentes à fórmula monótona e evasiva.
Que haveria de pensar sobre meu aniversário? Que era o dia em que todos sentiam-se na obrigação de reavivar a própria imagem em minha massa cinzenta? Que deveria ser um dia de paz, sossêgo e reflexão mais do que todos os outros?
Pensei em como um aniversário fica bem no papel, sem explicações, e recoredei-me do best seller infanto-juvenil que me tinah instigado às letras quando ainda desconhecia o prazer das linhas, a imaginação quando ainda desconhecia o universo subterrâneo que, sem fazer-se ausente em lugar algum, rege o farfalhar burburento, humano.
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